Aterramento de Tanques e Bombas de Combustível: Normas e Medição

Tanques e bombas de combustível acumulam eletricidade estática perigosa. Sem um aterramento adequado e a equipotencialização de todas as partes metálicas, os riscos de explosões e multas são enormes. Descubra as exigências do Corpo de Bombeiros, ANP e Seguradoras.

Aterramento de tanques e bombas de combustível

Por que o aterramento em postos de combustíveis é crítico? Durante a descarga e abastecimento, a movimentação dos combustíveis gera eletricidade estática. Em uma área classificada, uma pequena faísca elétrica pode iniciar uma explosão catastrófica. O aterramento eficiente, exigido rigorosamente por normas como a NBR 13781, NBR 13783 e NR-20, dissipa rapidamente essa carga para o solo, garantindo a integridade do posto e liberando o AVCB junto aos bombeiros.

1. Ameaça invisível: A eletricidade estática em Postos de Combustíveis

Diferente de instalações comerciais comuns, um posto de combustível lida diretamente com substâncias altamente inflamáveis. O movimento do combustível pelos tubos, o abastecimento de um veículo ou a descarga de um caminhão-tanque criam atrito, que inevitavelmente gera o acúmulo de energia na forma de eletricidade estática.

Se as bombas, os tanques e até mesmo as estruturas metálicas não estiverem devidamente aterradas e equipotencializadas, essa energia pode procurar o caminho mais rápido para a terra através do ar, gerando uma centelha. Em uma área classificada, essa faísca é o gatilho perfeito para um incêndio de grandes proporções.

2. Por que Aterrar Tanques e Bombas?

A necessidade do aterramento elétrico em um posto de gasolina ou central de abastecimento vai além do "cumprimento de normas". Trata-se da sobrevivência do negócio e da vida das pessoas envolvidas. Os principais motivos para um sistema de aterramento impecável são:

  • Descarga eletrostática: Previne que o atrito dos combustíveis crie potenciais elétricos perigosos na carcaça metálica dos equipamentos.
  • Proteção contra correntes de fuga: Motores das bombas, compressores e iluminação estão sujeitos a curtos-circuitos. O aterramento garante o acionamento imediato dos dispositivos de proteção (DR, disjuntores).
  • Equipotencialização: Evita diferenças de tensão perigosas entre diferentes estruturas metálicas. Se alguém toca em uma bomba e na carcaça de um carro, não pode haver choque.
  • Exigência legal: O Corpo de Bombeiros exige anualmente o Laudo de Aterramento e o Laudo Elétrico para Posto de Gasolina para emitir e renovar o AVCB. A ANP e seguradoras também travam renovações e indenizações caso essa exigência não seja cumprida.

Atenção ao risco: Conexões mecânicas convencionais não são adequadas em áreas classificadas e enterradas. O uso de solda exotérmica é obrigatório para evitar pontos de mau contato que podem gerar arcos voltaicos.

3. As Normas Vigentes que Regulam o Aterramento

Como a segurança é uma prioridade extrema em ambientes com risco de explosão, a regulamentação é extensa e rigorosa. O projeto e a instalação do sistema de aterramento para postos de combustíveis baseiam-se em diversas normas da ABNT e NR do Ministério do Trabalho:

  • NBR 5410: Instalações Elétricas de Baixa Tensão.
  • NBR 5419: Proteção contra Descargas Atmosféricas (SPDA).
  • NBR IEC 60079-14: Atmosferas explosivas - Projeto, seleção e montagem de instalações elétricas (fundamental para áreas classificadas).
  • ABNT NBR 13781: Manuseio e instalação de tanques subterrâneos de combustíveis.
  • ABNT NBR 13783: Armazenamento de líquidos inflamáveis e combustíveis — Instalação do sistema de bombas.
  • NR-20: Segurança e Saúde no Trabalho com Inflamáveis e Combustíveis.

4. A Estrutura do Sistema de Aterramento no Posto

O aterramento de um posto de combustível não é um cabo enfiado na terra aleatoriamente. Ele consiste em uma malha de aterramento principal que interliga todas as estruturas metálicas de forma sólida e definitiva.

Componentes do Sistema

O coração do sistema é formado por cabos de cobre nu enterrados e interligados a hastes de aterramento (tipo copperweld), utilizando solda exotérmica. Todos os elementos a seguir devem ser integrados à malha:

  • Tanques de combustível (subterrâneos e aéreos)
  • Bombas de abastecimento e dispensers
  • Filtros de linha, tubulações metálicas e bocais de descarga
  • Estruturas de coberturas metálicas e testeiras
  • Sistema de SPDA (para-raios)
  • O pino de aterramento temporário para o caminhão-tanque (garra de aterramento)

Resistência ideal: Embora as normas citem valores gerais, para áreas classificadas (com presença de gases inflamáveis) e sistemas de eletrônica sensível, o padrão de excelência adotado na engenharia, e frequentemente cobrado, é manter a resistência ohmica do sistema menor que 5Ω (ou, no limite tolerável em algumas avaliações, < 10Ω).

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5. O que Exatamente Deve Ser Aterrado (Tabela de Referência)

Abaixo detalhamos os componentes fundamentais e as características das conexões em um posto de combustível, assegurando a equipotencialização plena.

Elemento a Aterrar Especificação / Conexão Frequência de Medição
Tanques Subterrâneos Cabo de cobre nu de 25mm², soldado por solda exotérmica à carcaça do tanque. Anual (Laudo)
Bombas de Abastecimento Cabo de aterramento de proteção mínimo de 16mm², ligado à malha principal. Anual (Laudo)
Tubulações Metálicas Equipotencializadas com cabo flexível de cobre 16mm² usando conectores e solda adequados. Anual (Laudo)
Testeira Metálica (Cobertura) Cabo de no mínimo 25mm², geralmente integrado ao sistema SPDA e malha de terra. Anual (Inspeção SPDA/Aterramento)
Descarga de Caminhão Terminal com garra móvel e cabo super flexível conectado à malha para aterramento temporário. Checagem diária/Anual
Cercas Metálicas Cabo de cobre nu mínimo de 16mm² interligando mourões à malha, se próximos à área de risco. Anual

6. Processo: Como é Feito o Projeto e a Medição do Aterramento

O sucesso de um aterramento de postos não acontece na base do "tentativa e erro". Exige método, instrumentação calibrada e engenharia de precisão.

1
Fase Inicial

Medição de Resistividade do Solo

Uso de um terrômetro para conhecer o perfil do solo (método de Wenner). Isso define quantas hastes serão necessárias para alcançar os valores recomendados.

2
Projeto

Projeto da Malha de Aterramento

O engenheiro projeta no AutoCAD ou software especializado a disposição dos cabos nus, as hastes, e a interligação (equipotencialização) entre tanques, bombas e tubulações.

3
Execução

Escavação e Instalação de Hastes

Abertura de valetas, cravação das hastes copperweld em profundidade e assentamento do cabo de cobre nu (geralmente de 50mm² para a malha principal).

4
Segurança

Solda Exotérmica das Conexões

Todas as emendas enterradas recebem solda exotérmica, fundindo o cobre a nível molecular, garantindo zero resistência de contato e imunidade à corrosão do solo.

5
Integração

Interligação (Tanques, Bombas, SPDA)

A malha é conectada aos chicotes das bombas, às alças dos tanques e ao sistema do para-raios, transformando o posto em um único potencial elétrico seguro.

6
Aferição

Medição de Resistência da Malha

Uso de terrômetro digital calibrado para certificar que a resistência ôhmica ficou dentro dos padrões rigorosos (menor que 5Ω).

7
Fase Final

Emissão do Laudo Técnico (LTI) e ART

O engenheiro assina e emite o laudo contendo fotografias, plantas de as-built, calibração dos equipamentos e a ART, documento indispensável para os Bombeiros e ANP.

Seu posto de combustível precisa do Laudo de Aterramento anual?

O Corpo de Bombeiros exige a renovação do laudo com medição ôhmica válida. Evite interdições. A Exitogrid Engenharia conta com equipamentos calibrados e engenheiros especialistas para emitir o seu laudo rapidamente.

Perguntas Frequentes sobre Aterramento em Postos

Para garantir a rápida dispersão da eletricidade estática em áreas classificadas e proteger eletrônicos sensíveis, a resistência ideal deve ser mantida abaixo de 5Ω, e o máximo técnico tolerado em algumas avaliações e normas específicas é 10Ω.
As medições devem ser realizadas anualmente (a cada 12 meses). Isso é uma exigência do Corpo de Bombeiros para a emissão e renovação do AVCB, e também da ANP.
Não. Conectores mecânicos enterrados podem afrouxar e gerar faíscas. A NBR e normativas de segurança para atmosfera explosiva exigem o uso exclusivo de solda exotérmica para conexões na malha enterrada e próximo a áreas com risco de explosão.
A equipotencialização é o processo de interligar absolutamente todas as partes e estruturas metálicas (tanques, carcaças de bombas, tubos de ventilação e estrutura da cobertura) a uma única malha de aterramento. Isso garante que tudo fique com o mesmo potencial elétrico e elimina o risco de centelhamento por descarga estática.
As principais diretrizes provêm da ABNT NBR 5410, NBR 5419 (para SPDA interligado), NBR IEC 60079-14 (atmosferas explosivas), ABNT NBR 13781 (para tanques subterrâneos), ABNT NBR 13783 (para bombas de abastecimento) e a NR-20 do Ministério do Trabalho e Emprego.
Absolutamente. O projeto de combate a incêndio do posto só é validado e o Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB) só é emitido se o posto apresentar um Laudo de Aterramento dentro da validade (1 ano), emitido e assinado por um engenheiro eletricista junto à emissão da respectiva ART.
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