Descargas Atmosféricas no Nordeste: Por Que o DPS Não Basta Sozinho

Com a alta incidência de raios no Nordeste durante os períodos chuvosos, muitas empresas e indústrias confiam exclusivamente no Dispositivo de Proteção contra Surtos (DPS). Neste artigo, explicamos por que apenas o DPS não é suficiente para proteger edificações contra impactos diretos, e detalhamos a coordenação fundamental entre SPDA e DPS de acordo com a NBR 5419.

Raios no Nordeste: SPDA e DPS

Por que o DPS não oferece proteção completa? O DPS é altamente eficaz contra surtos elétricos e descargas indiretas conduzidas pela rede elétrica, mas não tem capacidade física para absorver a energia de uma descarga direta de raio na estrutura. Para proteção integral da edificação e das pessoas contra impactos diretos, é fundamental o uso de um Sistema de Proteção contra Descargas Atmosféricas (SPDA), obrigatório pela NBR 5419 para edificações acima de 20m ou com alta densidade de ocupação. A proteção correta exige coordenação entre SPDA, aterramento e DPS.

1. O Cenário de Descargas Atmosféricas no Nordeste

Historicamente, o Nordeste brasileiro tem enfrentado um aumento significativo na incidência de tempestades severas. Durante os períodos chuvosos intensos em estados como Pernambuco, as descargas atmosféricas causam prejuízos milionários em parques industriais, condomínios e estabelecimentos comerciais todos os anos.

Muitos gestores acreditam que instalar um DPS no quadro geral de distribuição (QGD) da instalação é o suficiente para garantir que computadores, servidores e maquinários industriais não queimem. O problema é que isso protege apenas uma das frentes do perigo.

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2. Entendendo a Diferença: DPS x SPDA

Para garantir a proteção adequada e em conformidade com as normas, precisamos entender os papéis de cada sistema:

  • Dispositivo de Proteção contra Surtos (DPS): Instalado dentro dos quadros elétricos, atua como um "desvio". Quando há um pico de tensão vindo pela rede (como um raio que atinge a fiação na rua e se propaga), o DPS conduz esse excesso de energia para o sistema de aterramento, protegendo os equipamentos conectados às tomadas.
  • Sistema de Proteção contra Descargas Atmosféricas (SPDA): Conhecido como para-raios, é a estrutura física (captores, descidas, malha de aterramento) instalada na edificação. O seu principal objetivo é interceptar raios que atingiriam a edificação diretamente, conduzindo a energia extrema para o solo de forma segura, evitando incêndios, rachaduras e riscos letais aos ocupantes.

Alerta: Se um raio atingir diretamente o telhado do seu galpão industrial e você não tiver um SPDA adequado, a energia percorrerá as estruturas metálicas, paredes e instalações elétricas, causando incêndios e destruição estrutural. Nesse cenário de impacto direto, o DPS no seu quadro não adiantará nada.

3. A Coordenação Perfeita: SPDA + DPS + Aterramento

Segundo a NBR 5419 e a NBR 5410, a proteção eficaz só existe através da coordenação de medidas. Não basta ter apenas o SPDA sem proteção interna (MPS - Medidas de Proteção contra Surtos), assim como não basta ter DPS sem um aterramento adequado.

Classes de DPS

A proteção interna também se divide em níveis de defesa para lidar de maneira escalonada com a energia dos surtos:

  • DPS Classe I: Instalado no quadro de entrada (QGBT). É robusto, testado com formato de onda 10/350 µs, sendo capaz de desviar a enorme energia residual de raios diretos captados pelo SPDA ou pela rede elétrica externa.
  • DPS Classe II: Instalado em quadros de distribuição secundários. Atua para conter sobretensões induzidas (formato de onda 8/20 µs) ou geradas por chaveamentos internos.
  • DPS Classe III: Instalado próximo aos equipamentos sensíveis (como no-breaks de servidores), proporcionando proteção fina.
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4. Proteção x Custo: Tabela Comparativa

Uma dúvida comum entre empresários é referente ao investimento necessário. É importante contextualizar o custo da proteção frente ao valor dos bens protegidos.

Sistema Protege Contra Custo Médio (Estimado)* Obrigatoriedade
DPS (Conjunto Classe I e II) Surtos conduzidos e induzidos, picos de tensão da rede. R$ 200 a R$ 2.000 (material) Sim (NBR 5410). Essencial para todas as instalações.
SPDA (Para-raios) Descarga atmosférica direta sobre a edificação. R$ 10.000 a R$ 50.000 (projeto e execução completa) Sim, para edificações > 20m ou conforme gerenciamento de risco (NBR 5419). Exigido por Bombeiros.
Aterramento (Malha e Hastes) Drenagem de correntes de falta e de surtos. R$ 3.000 a R$ 15.000 Sim. Pilar de qualquer instalação segura.

* Valores estimativos, variando largamente conforme porte da edificação e área construída.

Retorno do Investimento: Considere que a perda de um único servidor ou máquina CNC, somada ao tempo de inatividade da sua operação fabril, muitas vezes supera dezenas de milhares de reais, provando que o projeto e laudo de SPDA é um seguro preventivo muito barato.

5. Processo de Adequação: O que fazer?

Se a sua empresa não possui SPDA ou você desconfia da eficácia dos seus dispositivos de proteção atuais, siga estas etapas:

1
Fase de Avaliação

Laudo Técnico Elétrico (LTI)

Contrate um laudo técnico elétrico de uma empresa especializada para verificar a integridade do aterramento, a existência e correta especificação dos DPS nos quadros e avaliar a necessidade de adequação do SPDA.

2
Gerenciamento de Risco

Cálculo NBR 5419 Parte 2

A engenharia realiza o gerenciamento de risco de descargas atmosféricas para determinar matematicamente qual nível de proteção a sua edificação exige, considerando as estatísticas de raios da região do Nordeste.

3
Projeto e Execução

Projeto Executivo e Instalação

Caso o risco seja elevado, é desenvolvido o projeto do SPDA englobando subsistemas de captação, descida e aterramento, perfeitamente integrados aos DPS internos, culminando na emissão de ART.

4
Manutenção Recorrente

Manutenção Preventiva Elétrica

O SPDA e os quadros elétricos devem ser inspecionados anualmente para atestar que conexões não sofreram corrosão e que os módulos DPS (que se desgastam após sucessivos surtos) não precisam de substituição.

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6. Danos causados: Posso pedir ressarcimento?

Muitas vezes, surtos gerados na própria rede da distribuidora podem queimar equipamentos da empresa. Quando o problema vem comprovadamente da rede de distribuição e não há impacto direto na sua estrutura, é possível solicitar um ressarcimento à Neoenergia, desde que suas instalações internas atendam as exigências normativas (aterramento e proteção na entrada).

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Adequação de SPDA e Laudos Técnicos no Nordeste

Se a sua empresa não está segura quanto às proteções instaladas, ou se os Bombeiros exigiram o laudo de SPDA e instalação do sistema para a renovação do AVCB, conte com a Exitogrid. Somos especialistas em soluções elétricas normatizadas.

Perguntas Frequentes sobre Proteção Elétrica

O Dispositivo de Proteção contra Surtos (DPS) é projetado para proteger equipamentos elétricos contra picos de tensão transitórios (surtos), geralmente causados por raios que caem na rede elétrica ou chaveamentos da concessionária.
Não. O DPS não tem capacidade para suportar e dissipar a energia colossal de um raio que atinge diretamente a edificação. Para isso, é imprescindível um Sistema de Proteção contra Descargas Atmosféricas (SPDA), popularmente conhecido como para-raios.
Segundo a NBR 5419 e exigências do Corpo de Bombeiros, o SPDA é obrigatório em edificações comerciais, industriais e residenciais acima de determinada altura (frequentemente 20 metros), locais com grande aglomeração de pessoas, áreas com materiais inflamáveis ou explosivos, e conforme o cálculo de gerenciamento de risco da norma.
O DPS Classe I é projetado para suportar correntes parciais de raios diretos (instalado na entrada da rede), enquanto o Classe II lida com surtos induzidos e chaveamentos na rede (instalado nos quadros de distribuição). Uma proteção ideal utiliza ambos de forma coordenada.
O custo varia bastante de acordo com o tamanho e complexidade da edificação. Um SPDA completo costuma variar de R$ 10 mil a R$ 50 mil. Já o DPS custa entre R$ 200 e R$ 2.000, mas atua como complemento.
Sim. As NDUs da Neoenergia, bem como normas técnicas vigentes (NBR 5410 e NBR 5419), exigem o uso de sistemas de aterramento e dispositivos de proteção adequados nas instalações elétricas, especialmente na entrada de energia e projetos de subestação.
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