Fio B em 2026: quanto você já paga sobre a energia injetada

Muita gente com energia solar percebeu que a conta não zera mais como antes e não sabe quanto disso é Fio B. Em 2026 o percentual subiu para 60%, e o impacto já é visível na fatura. Veja como fazer o cálculo com números da Neoenergia Pernambuco, quem está fora da cobrança e o que fazer para pagar menos.

9 min de leitura Revisado por Eng. Rhayanna Larissa Ferreira dos Santos · CREA-PE nº 182427058-5
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Telhado com energia solar e medidor bidirecional, cálculo do Fio B em 2026 sobre a energia injetada
Telhado com energia solar e medidor bidirecional, cálculo do Fio B em 2026 sobre a energia injetada
Neste artigo
  1. 60% em 2026
  2. O que é o Fio B
  3. Cálculo com exemplo
  4. Quem paga e quem não paga
  5. Como reduzir o impacto
  6. Perguntas frequentes
  7. Autor e revisão técnica

Quanto se paga de Fio B em 2026? Quem protocolou a geração distribuída a partir de 7/1/2023 paga 60% do Fio B sobre cada kWh injetado e depois compensado. Na Neoenergia PE, isso equivale a cerca de R$ 0,11 a R$ 0,15 por kWh, antes de tributos. Uma casa que injeta 300 kWh por mês paga perto de R$ 40.

60% em 2026, e não 30%

Circula por aí que o Fio B estaria em 30% em 2026. Está errado: 30% foi o percentual de 2024. A Lei 14.300/2022, que criou o marco legal da geração distribuída, fixou no artigo 27 uma escada anual para quem protocolou o pedido de acesso a partir de 7 de janeiro de 2023:

AnoPercentual do Fio B cobradoValor por kWh compensado (Fio B cheio de R$ 0,22)
202315%R$ 0,033
202430%R$ 0,066
202545%R$ 0,099
202660%R$ 0,132
202775%R$ 0,165
202890%R$ 0,198
2029 em dianteRegra definitiva (art. 17 da lei)Depende da valoração da ANEEL

O valor de R$ 0,22 é uma referência didática para o residencial B1 da Neoenergia PE; a faixa e a fonte estão explicadas mais abaixo. Também não é exato dizer que o Fio B "vai a 100% em 2029". A lei manda aplicar, a partir de 2029, a regra definitiva do artigo 17, que depende da valoração de custos e benefícios da geração distribuída feita pela ANEEL. O que muda depois disso está em o que muda na GD a partir de 2029.

O que é o Fio B e por que ele incide sobre a injeção

A tarifa de energia tem duas partes: a TE (tarifa de energia, o "produto") e a TUSD (tarifa de uso do sistema de distribuição, o "frete"). Dentro da TUSD, o Fio B é a parcela que remunera a rede da própria distribuidora: postes, cabos, transformadores, operação e manutenção. O Fio A, outra parcela, paga a transmissão.

Quando seu sistema injeta energia de dia e você usa esse crédito à noite, a energia viaja pela rede da Neoenergia nos dois sentidos. Antes da Lei 14.300, esse uso da rede não era cobrado. Agora, uma fração do Fio B é cobrada sobre a energia compensada. Dois pontos importantes:

  • O Fio B incide sobre a energia compensada, ou seja, injetada e depois abatida do consumo.
  • A energia gerada e consumida no mesmo instante, dentro da instalação, não passa pelo medidor como injeção e não paga nada.

Como calcular: exemplo com números da Neoenergia PE

A Neoenergia Pernambuco teve reajuste aprovado pela ANEEL em abril de 2026 (Resolução Homologatória nº 3.583), com efeito médio de 3,41% para a baixa tensão. A tarifa residencial B1 ficou perto de R$ 0,80 por kWh antes de tributos, somando TUSD e TE.

O Fio B não aparece isolado na fatura. Em distribuidoras do Nordeste, ele costuma representar algo entre um quarto e um terço da tarifa sem tributos. Por isso usamos, como faixa de referência, R$ 0,19 a R$ 0,25 por kWh para o Fio B cheio do B1, e R$ 0,22 nos exemplos. Para um cálculo de contrato ou laudo, use o valor exato da tabela da resolução homologatória vigente.

PerfilEnergia injetada e compensada por mêsFio B em 2026 (60% de R$ 0,22)Por ano
Casa em Recife, sistema de 4 kWp300 kWhR$ 39,60R$ 475
Casa grande com piscina, 8 kWp650 kWhR$ 85,80R$ 1.030
Comércio que fecha cedo, 20 kWp1.200 kWhR$ 158,40R$ 1.900
Escritório que funciona de dia, 20 kWp500 kWhR$ 66,00R$ 792

Repare nas duas últimas linhas: o mesmo sistema de 20 kWp paga mais que o dobro de Fio B no comércio que fecha cedo, porque ele injeta mais. O que pesa não é o tamanho do sistema, e sim quanto da geração vai para a rede. Os valores são antes de ICMS e PIS/Cofins e servem como referência de 2026; confirme com a sua fatura.

Conta rápida: pegue a energia injetada no mês (está na fatura), multiplique por 0,6 e pelo Fio B da sua classe. Com R$ 0,22, cada 100 kWh injetados custam cerca de R$ 13,20 em 2026, R$ 16,50 em 2027 e R$ 19,80 em 2028.

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Quem paga e quem não paga em 2026

A data que importa é a do protocolo da solicitação de acesso na distribuidora, e não a da compra dos painéis ou da instalação.

SituaçãoFio B em 2026Até quando
Sistema conectado ou protocolo até 6/1/2023Não pagaRegras antigas até 31/12/2045
Protocolo entre 7/1/2023 e 7/7/202360%Escada da transição estendida até 2030
Protocolo após 7/7/202360%Transição até 2028; regra definitiva em 2029
Minigeração acima de 500 kW em autoconsumo remoto, ou compartilhada com um titular de 25% ou mais100% do Fio B, mais 40% do Fio A e encargosRegra própria do artigo 27 até 2028

Quem tem dúvida sobre o enquadramento deve olhar o número e a data do protocolo no processo de conexão. A análise completa do direito adquirido está em quem protocolou até 2023 ainda está protegido?. E atenção a ampliações: aumentar a potência depois do prazo pode levar a parte acrescida para as regras novas. Veja o risco de ampliar sem avisar a distribuidora e as mudanças da Lei 15.269/2025 na transferência de imóvel.

Como reduzir o impacto do Fio B

Como o Fio B só incide sobre o que vai para a rede, a regra é simples: quanto mais da geração for usada na hora, menos você paga. As medidas abaixo estão em ordem de custo, da mais barata para a mais cara.

1
Custo zero

Mude cargas para o horário de sol

Máquina de lavar, bomba da piscina, aquecedor de acumulação, ar-condicionado em pré-resfriamento e recarga de carro elétrico entre 9h e 15h. Em residências, isso costuma cortar de 10% a 30% da injeção.

2
Baixo custo

Automatize com temporizador ou inversor

Timers e relés comandados pelo inversor ligam cargas só quando há excedente. Em comércio, dá para programar câmaras frias e climatização para trabalhar mais pesado ao meio-dia.

3
Na próxima ampliação

Dimensione pelo consumo diurno

Quem vai instalar ou ampliar deve dimensionar olhando o perfil de consumo, e não só a média mensal. Sistema superdimensionado gera muito crédito, e todo crédito paga Fio B.

4
Investimento alto

Avalie baterias com outros ganhos somados

A bateria guarda o excedente para a noite. Só o Fio B não paga a bateria; ela se justifica quando também corta demanda, evita o horário de ponta ou garante continuidade. Veja bateria + solar para comércio em 2026.

Empresas com várias unidades podem ainda reorganizar onde os créditos são usados, priorizando as unidades de consumo diurno. O desenho está em autoconsumo remoto para empresas com filiais.

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Confira a fatura: erros de leitura da injeção e de enquadramento (sistema com direito adquirido sendo cobrado como novo) acontecem. Se o valor de TUSD sobre a energia compensada não bate com a sua data de protocolo, peça revisão. O roteiro está em auditoria de fatura de energia.

Quer saber quanto o Fio B pesa na sua conta e como reduzir?

A Exitogrid analisa a fatura, confere o enquadramento na Lei 14.300 e projeta ampliações ou baterias com base no seu perfil de consumo. Somos credenciados na Neoenergia (Tipos 1 a 6), com atuação em PE, AL, PB e RN.

Revisão técnica Eng. Rhayanna Larissa Ferreira dos Santos

Engenheira Eletricista – Responsável Técnica da Exitogrid · CREA-PE nº 182427058-5

Conteúdo revisado em .

Perguntas frequentes

60%. Pela Lei 14.300/2022, quem protocolou o pedido de acesso a partir de 7 de janeiro de 2023 paga uma fração crescente do Fio B sobre a energia compensada: 15% em 2023, 30% em 2024, 45% em 2025, 60% em 2026, 75% em 2027 e 90% em 2028. A partir de 2029 vale a regra definitiva a ser fixada pela ANEEL.
Normalmente não. O Fio B é uma parcela da TUSD, a tarifa de uso do sistema de distribuição. Na fatura de quem tem geração distribuída, o efeito aparece como uma parte da energia compensada que não é abatida integralmente. Para conferir o valor, compare a energia injetada, a compensada e o valor cobrado de TUSD no histórico da fatura.
Não. Ele incide só sobre a energia que vai para a rede e depois é compensada como crédito. O que você gera e consome no mesmo instante, dentro da própria instalação, não passa pelo medidor como injeção e não paga Fio B. Por isso, aumentar o consumo durante o dia é a forma mais barata de reduzir o impacto.
Não, desde que o sistema já estivesse conectado ou que o pedido de acesso tenha sido protocolado até 6 de janeiro de 2023. Essas unidades mantêm as regras antigas de compensação até 31 de dezembro de 2045. O cuidado é com ampliações feitas depois dessa data, que podem seguir as regras novas na parte acrescida.
O valor cheio do Fio B para o residencial B1 fica, como faixa de referência, entre R$ 0,19 e R$ 0,25 por kWh antes de tributos. Em 2026, com 60%, isso dá cerca de R$ 0,11 a R$ 0,15 por kWh compensado. O número exato muda a cada reajuste anual e deve ser conferido na resolução homologatória vigente.
Em residência, raramente. Guardar 1 kWh para evitar cerca de R$ 0,13 de Fio B não paga o custo da bateria. Em comércio e indústria a conta muda quando a bateria também corta demanda, desloca consumo do horário de ponta ou garante continuidade. Avalie esses ganhos juntos antes de decidir.

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