Payback de um eletroposto no Brasil em 2026: números reais

Planilha de eletroposto que promete retorno em um ano costuma esconder a ocupação, a demanda contratada ou o tempo até energizar. Aqui você encontra três cenários simulados linha a linha (AC 22 kW, DC 60 kW e DC 150 kW), uma tabela de sensibilidade e os fatores que mais alongam o retorno.

11 min de leitura Revisado por Eng. Rhayanna Larissa Ferreira dos Santos · CREA-PE nº 182427058-5
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Carregador rápido de eletroposto em operação, usado na simulação de payback de 2026
Carregador rápido de eletroposto em operação, usado na simulação de payback de 2026
Neste artigo
  1. Premissas da simulação
  2. AC 22 kW
  3. DC 60 kW
  4. DC 150 kW com subestação
  5. Comparativo
  6. Sensibilidade
  7. O que derruba o payback
  8. Como validar
  9. Perguntas frequentes
  10. Autor e revisão técnica

Qual é o payback de um eletroposto em 2026? Em cenários realistas, de 3 a 7 anos. Um DC de 60 kW com 12% de ocupação e kWh a R$ 2,30 se paga em cerca de 58 meses; com 20%, em 32 meses. AC 22 kW em 12 a 18 meses só acontece com infraestrutura pronta e ocupação acima de 25%.

As premissas que decidem o resultado

Payback simples é o tempo que o lucro operacional mensal leva para devolver o investimento inicial. Para calcular, você precisa de dois números: o CAPEX (tudo o que se gasta antes da primeira recarga) e o resultado mensal (receita menos custos de operação, o chamado OPEX).

A receita depende de três variáveis: preço cobrado por kWh, potência média entregue e taxa de ocupação, que é a fração das 24 horas do dia em que o carregador está de fato entregando energia. Ocupação de 12% significa cerca de 2 horas e 50 minutos de recarga por dia.

Este texto trata o eletroposto como negócio próprio, cuja receita principal é a venda de recarga. Se você já tem um estabelecimento e quer saber como cobrar dos seus clientes (por kWh, por minuto, assinatura ou cortesia), o assunto está em modelos de cobrança da recarga veicular.

Premissas comuns aos três cenários (valores de referência de 2026; confirme com orçamento):

  • Taxa de pagamento e app: 6% da receita (adquirente, plataforma de roaming e estornos).
  • Energia em baixa tensão (B3 comercial): R$ 1,05/kWh com impostos, na faixa praticada pela Neoenergia Pernambuco.
  • Energia em média tensão (Grupo A, tarifa verde): R$ 0,55/kWh fora de ponta, R$ 2,20/kWh na ponta e cerca de R$ 30 por kW de demanda contratada, já com impostos.
  • Sem impostos sobre faturamento e sem custo de capital. Falamos disso mais abaixo.

Cenário 1: AC 22 kW com infraestrutura existente

É o caso de um estacionamento, clínica ou restaurante em Recife que já tem folga no padrão de entrada. O carregador custa de R$ 9 mil a R$ 15 mil e a instalação (circuito dedicado, quadro, DR, DPS, aterramento, projeto e ART) de R$ 8 mil a R$ 20 mil. Usamos CAPEX de R$ 25 mil.

O ponto que derruba muitas planilhas: o carregador é de 22 kW, mas o carro decide quanto aceita. Boa parte dos elétricos vendidos no Brasil carrega em AC a 6,6 kW, 7 kW ou 11 kW. Na prática, a potência média fica perto de 8 kW, e não 22 kW.

Com 12% de ocupação, isso dá cerca de 700 kWh por mês. A R$ 1,90/kWh, a receita é de R$ 1.330. Tirando energia (R$ 735), taxa de pagamento (R$ 80) e software, chip 4G e manutenção (R$ 120), sobram R$ 395 por mês. Payback: cerca de 63 meses, mais de 5 anos.

Simulação ilustrativa; o retorno real depende do consumo, da tarifa, do investimento e das características do projeto.

O "AC 22 kW em 12 a 18 meses" é exceção, não regra. Para chegar lá é preciso infraestrutura quase pronta (CAPEX perto de R$ 20 mil), ocupação de 25% ou mais (6 horas de uso diário) e carros que aceitem 11 kW. Com ocupação média de 10% a 15%, o retorno real de um AC vendido como negócio fica entre 4 e 7 anos.

Cenário 2: DC 60 kW sem subestação

É a faixa que mais aparece em postos de combustível e em lojas de conveniência de avenidas movimentadas. O equipamento de 60 kW custa de R$ 60 mil a R$ 130 mil, conforme marca, número de conectores e conectividade. A parte elétrica, com aumento de carga em baixa tensão, cabos, quadro e obra, vai de R$ 40 mil a R$ 80 mil. Usamos CAPEX de R$ 170 mil.

A potência média entregue é de uns 38 kW, porque a recarga DC desacelera depois de 80% de bateria e muitos carros não chegam a 60 kW. Com 12% de ocupação, são cerca de 3.300 kWh por mês.

A R$ 2,30/kWh, a receita é de R$ 7.590. Saem energia em B3 (R$ 3.465), taxa de pagamento (R$ 455) e OPEX fixo (R$ 700, entre software de gestão OCPP, contrato de manutenção, internet e seguro). Resultado: R$ 2.970 por mês e payback de 57 a 58 meses.

Com 20% de ocupação, o mesmo carregador entrega cerca de 5.470 kWh e o resultado sobe para R$ 5.380, com retorno em 32 meses. É essa diferença de ocupação que separa um bom ponto de um ponto ruim.

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Cenário 3: DC 150 kW com subestação própria

Um hub rodoviário na BR-232, perto de Gravatá ou Caruaru, raramente cabe em baixa tensão. Pela REN ANEEL 1.000/2021, acima de 75 kW de carga instalada a unidade passa, em regra, ao Grupo A, atendida em média tensão. Isso exige subestação, parecer de acesso e outra lógica de custo.

O carregador de 120 a 150 kW custa de R$ 220 mil a R$ 350 mil. A subestação dimensionada para o eletroposto, a média tensão, a obra civil e o projeto somam de R$ 250 mil a R$ 450 mil. Usamos CAPEX de R$ 600 mil.

Com 12% de ocupação e 70 kW médios, são cerca de 6.100 kWh por mês. A R$ 2,50/kWh, a receita é de R$ 15.250. A energia, com 15% do consumo caindo no horário de ponta, custa uns R$ 4.860. A demanda contratada de 150 kW custa R$ 4.500 todo mês, com ou sem carro plugado. Com taxa de pagamento (R$ 915) e OPEX fixo maior (R$ 2.000, incluindo manutenção da subestação), sobram R$ 2.975. O payback passa de 16 anos.

Com 20% de ocupação, o retorno cai para uns 66 meses; com 30%, para 35 meses. Alta potência é negócio de volume: só funciona onde já existe fluxo de elétricos ou contrato com frota. Quanto custa cada item dessa obra está detalhado em custo da infraestrutura elétrica de um eletroposto.

Os três cenários lado a lado

Item (12% de ocupação)AC 22 kWDC 60 kWDC 150 kW
CAPEX totalR$ 25 milR$ 170 milR$ 600 mil
Potência média real8 kW38 kW70 kW
Energia vendida/mês700 kWh3.300 kWh6.100 kWh
Preço ao usuárioR$ 1,90/kWhR$ 2,30/kWhR$ 2,50/kWh
Receita mensalR$ 1.330R$ 7.590R$ 15.250
Energia + demandaR$ 735R$ 3.465R$ 9.360
Taxas + OPEX fixoR$ 200R$ 1.155R$ 2.915
Resultado mensalR$ 395R$ 2.970R$ 2.975
Payback simples~63 meses~58 meses~200 meses
Payback com 20% de ocupação~34 meses~32 meses~66 meses

Simulação ilustrativa da Exitogrid com valores de referência de 2026; confirme com orçamento e com a sua fatura de energia.

Tabela de sensibilidade: ocupação x preço

Para o cenário DC 60 kW (CAPEX de R$ 170 mil, energia em B3), a tabela mostra o payback em meses conforme a ocupação e o preço cobrado. Ela responde à pergunta mais útil antes de investir: o que precisa ser verdade para o negócio fechar?

Ocupação (horas/dia)R$ 1,90/kWhR$ 2,30/kWhR$ 2,70/kWh
8% (1h55)~187 meses~98 meses~66 meses
12% (2h50)~99 meses~58 meses~41 meses
16% (3h50)~67 meses~41 meses~29 meses
20% (4h50)~51 meses~32 meses~23 meses
25% (6h)~39 meses~25 meses~18 meses

Repare que baixar o preço para competir pode ser fatal: a R$ 1,90/kWh, a margem sobre a energia comprada em baixa tensão é de apenas R$ 0,74 por kWh. Na prática, o mercado brasileiro tem cobrado de R$ 1,80 a R$ 3,50 por kWh na recarga DC, conforme rede, região e horário.

O que mais derruba o payback

Nos estudos de viabilidade que fazemos em Pernambuco e no restante do Nordeste, os mesmos erros aparecem:

  • Ocupação otimista. Projetar 30% no primeiro ano em cidade com poucos elétricos. Comece com 8% a 12% e cresça a curva ao longo de 24 a 36 meses.
  • Demanda contratada mal dimensionada. Contratar demanda alta demais gera custo fixo; contratar baixa demais gera multa por ultrapassagem. Um sistema de gestão de carga limita a potência total e permite contratar menos.
  • Recarga no horário de ponta. Na tarifa verde, cada kWh vendido entre 17h30 e 20h30 em dia útil pode custar mais que o preço cobrado. Preço dinâmico por horário resolve parte disso.
  • Meses sem faturar. Com subestação, o caminho até a energização leva de 6 a 12 meses. Veja quanto tempo demora para energizar um eletroposto na Neoenergia.
  • Carregador parado. Cada dia de equipamento em falha é receita perdida. Contrato de manutenção com prazo de atendimento é parte do OPEX, não um luxo.
  • Impostos e custo de capital. Tributos sobre o faturamento e juros de financiamento ficaram fora desta simulação. Incluídos, alongam o payback em 20% a 40%. Faça a conta com seu contador.

O que encurta o retorno: dividir uma única subestação entre dois ou mais carregadores, firmar contrato de recarga com frota (táxis, locadoras, motoristas de aplicativo) para garantir ocupação mínima e escolher local com permanência natural do cliente. O modelo de pátio para frota de aplicativo está em pátio de recarga para app de transporte.

Como validar o seu número antes de investir

1
1 a 2 semanas

Levante a demanda local

Conte carregadores num raio de 5 km no PlugShare, observe fluxo de elétricos e converse com frotas próximas. Defina uma ocupação conservadora para o primeiro ano.

2
1 a 3 semanas

Avalie a capacidade elétrica do local

Um engenheiro verifica se o padrão de entrada comporta a carga ou se será preciso aumento de carga ou subestação. É isso que define se o CAPEX será de R$ 170 mil ou de R$ 400 mil.

3
1 semana

Monte a planilha com três cenários

Pessimista, base e otimista, variando ocupação e preço como na tabela acima. Se o cenário pessimista passar de 7 anos, reveja o local ou a potência.

O passo a passo completo da implantação, da escolha do terreno à operação, está no guia como montar um eletroposto do zero.

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Quer saber se o seu eletroposto fecha a conta?

A Exitogrid avalia a capacidade elétrica do seu local, estima o CAPEX real da infraestrutura e projeta subestação e entrada de energia como empresa credenciada na Neoenergia (Tipos 1 a 6), em PE, AL, PB e RN.

Revisão técnica Eng. Rhayanna Larissa Ferreira dos Santos

Engenheira Eletricista – Responsável Técnica da Exitogrid · CREA-PE nº 182427058-5

Conteúdo revisado em .

Perguntas frequentes

Dá, mas não em qualquer lugar. Nas nossas simulações, um carregador DC de 60 kW com 12% de ocupação e kWh a R$ 2,30 se paga em cerca de 5 anos; com 20% de ocupação, em menos de 3 anos. Abaixo de 8% de ocupação, quase nenhum cenário fecha a conta.
Como regra prática, um DC de 60 kW precisa de 15% a 20% de ocupação (cerca de 4 horas de uso por dia) para pagar o investimento em até 3 anos. Um DC de 150 kW com subestação própria precisa de 20% a 30%, porque a demanda contratada é um custo fixo mensal.
Não é preciso autorização específica. A REN ANEEL 1.000/2021, que incorporou a antiga REN 819/2018, permite que qualquer interessado explore a recarga de veículos elétricos com preço livremente negociado. Você precisa de CNPJ com atividade compatível, instalação conforme as normas e conexão regular com a distribuidora.
Em baixa tensão comercial (B3), o kWh com impostos fica entre R$ 0,95 e R$ 1,15 em Pernambuco. Em média tensão (Grupo A, tarifa verde), o kWh fora de ponta cai para R$ 0,45 a R$ 0,65, mas você paga demanda contratada todo mês e o kWh na ponta custa de 3 a 5 vezes mais. Valores de referência de 2026; confirme na sua fatura.
Reduz o custo da energia, mas aumenta o CAPEX. Pela Lei 14.300/2022, os créditos de geração própria abatem o consumo, mas a parcela do Fio B é cobrada de forma progressiva. Em geral, a solar melhora o resultado de eletropostos AC e de destino; em DC de alta potência, o ganho é menor porque o peso maior está na demanda.
Entre a decisão e a primeira recarga paga, conte de 2 a 4 meses quando a instalação existente comporta o carregador, e de 6 a 12 meses quando há subestação e parecer de acesso. Esse período sem receita entra na conta do payback e costuma ser esquecido nas planilhas.

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