Subestação para galpão logístico: 300 kVA é suficiente?

300 kVA é a potência que mais aparece em galpões logísticos, mas ela não serve para toda operação. Veja, por perfil de uso, quando ela basta, quando fica no limite e qual é o caminho para ampliar sem refazer tudo.

9 min de leitura Revisado por Eng. Rhayanna Larissa Ferreira dos Santos · CREA-PE nº 182427058-5
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Galpão logístico com docas e subestação de 300 kVA na entrada do terreno
Galpão logístico com docas e subestação de 300 kVA na entrada do terreno
Neste artigo
  1. O que 300 kVA entrega
  2. Consumo por perfil
  3. Cross-docking
  4. Câmara fria
  5. Automação e esteiras
  6. Recarga de frota
  7. Cálculo de exemplo
  8. Caminho de ampliação
  9. Perguntas frequentes
  10. Autor e revisão técnica

300 kVA é suficiente para um galpão logístico? Para armazenagem seca e cross-docking de até 15 mil m², quase sempre sim, com folga. Com automação de esteiras, fica no limite. Com câmara fria de médio porte ou recarga de frota elétrica, normalmente não basta: a demanda passa de 250 kW e o caminho é 500 kVA ou mais.

O que 300 kVA entrega na prática

Primeiro, a conversão. O transformador é especificado em kVA (potência aparente). As cargas consomem kW (potência ativa). A relação entre os dois é o fator de potência, que nas instalações comerciais e industriais deve ficar acima de 0,92 para evitar cobrança de reativos.

Com fator de potência de 0,92, um transformador de 300 kVA entrega cerca de 276 kW. Mas operar sempre no limite reduz a vida útil do equipamento, sobretudo no calor do Nordeste. A recomendação é manter a demanda máxima entre 220 kW e 250 kW, ou seja, de 80% a 90% da capacidade.

Outro ponto pouco lembrado: nas normas da Neoenergia, a subestação aérea em poste costuma ir até 300 kVA. Acima disso, o padrão passa a ser abrigada ou blindada. Por isso, 300 kVA é um degrau importante: subir dele significa mudar o tipo de subestação, como mostramos na comparação entre subestação abrigada e aérea.

Quanto cada perfil de galpão consome

Galpões com a mesma área podem ter demandas muito diferentes. O que define a potência é a operação, não os metros quadrados. A tabela traz faixas de demanda máxima típicas para um galpão de 10 mil m² com escritório administrativo.

Perfil de operaçãoCargas principaisDemanda típica300 kVA basta?
Cross-docking ou armazenagem secaIluminação LED, docas, portões, escritório, carregadores de empilhadeira80 a 160 kWSim, com folga
Armazenagem com câmara friaCompressores, evaporadores, degelo, antecâmara climatizada220 a 450 kWSó para câmara pequena
Automação e esteiras (sorter)Motores de esteira, sorter, transelevadores, servidores180 a 320 kWNo limite; depende do projeto
Recarga de empilhadeiras de lítioCarregadores rápidos de 10 a 30 kW cada+60 a 200 kW sobre a baseDepende da frota e da gestão de carga
Recarga de vans e VUCs elétricosCarregadores AC de 22 kW ou DC de 40 a 60 kW+100 a 400 kW sobre a baseNormalmente não

São valores de referência de 2026 para orientar a conversa inicial; o número real sai do estudo de carga elétrica do seu galpão.

Cross-docking e armazenagem seca

É o perfil mais leve. A iluminação LED de alto rendimento consome de 3 a 6 W por metro quadrado. Niveladoras de doca e portões rápidos têm motores de 1 kW a 3 kW, mas funcionam por poucos segundos de cada vez. O escritório, com ar-condicionado, costuma ser a maior carga contínua.

Aqui, 300 kVA muitas vezes é até demais. Um galpão de 5 mil m² nesse perfil pode operar com 150 kVA ou 225 kVA. O excesso de potência não é grave, mas aumenta o custo da subestação e as perdas em vazio do transformador. Para entender a entrada de energia de galpões menores, veja energia para galpão comercial: dimensionamento da entrada.

Armazenagem com câmara fria

Refrigeração muda o jogo. Compressores funcionam praticamente 24 horas, e o calor de Pernambuco, com temperaturas externas acima de 30 °C em boa parte do ano, aumenta o trabalho do sistema. Some ainda o degelo por resistência elétrica, que cria picos de demanda.

Uma câmara de congelados de 500 m² pode demandar sozinha de 80 kW a 150 kW, conforme isolamento, temperatura e movimentação de portas. Com 1.000 m² ou mais, a refrigeração passa facilmente de 200 kW, e 300 kVA deixa de ser suficiente. Operações frigorificadas no entorno de Suape e na BR-232 costumam partir de 500 kVA.

Além da potência, a câmara fria exige confiabilidade: queda de energia significa perda de carga. Esse tema está em energia para câmaras frias em operação logística.

Atenção: não some só a potência dos compressores. A partida de motores grandes gera corrente de 5 a 7 vezes a nominal. Sem partida suave ou inversor de frequência, um transformador de 300 kVA que parecia suficiente no papel pode ter afundamento de tensão e desarmes na prática.

Automação, esteiras e sorters

Centros de distribuição de e-commerce e varejo usam esteiras, sorters (classificadores automáticos), transelevadores e sistemas de picking. Cada linha tem dezenas de motores pequenos e, em conjunto, a demanda sobe rápido. Servidores, nobreaks e climatização da sala de TI completam a conta.

Neste perfil, 300 kVA fica no limite e depende muito do fornecedor da automação. Peça a ele a potência instalada e a demanda simultânea de cada linha antes de fechar a subestação. Para operações maiores, que juntam automação e recarga, o artigo sobre demanda elétrica de centro de distribuição traz o panorama completo.

Recarga de empilhadeiras e veículos elétricos

A troca de empilhadeiras de chumbo-ácido por lítio e a chegada de vans elétricas de entrega estão mudando a conta de energia dos galpões. Carregadores de bateria de chumbo pedem de 3 kW a 8 kW; os de lítio com carga rápida, de 10 kW a 30 kW cada.

Para vans e VUCs, um carregador AC de 22 kW por vaga é comum; 10 vagas somam 220 kW, que sozinhas consomem quase toda a capacidade de 300 kVA. A saída é a gestão de carga: um controlador que distribui a potência disponível entre os carregadores e prioriza a recarga noturna, como explicado em recarga noturna de frota na tarifa fora de ponta. O dimensionamento para caminhões elétricos tem guia próprio em galpão logístico com recarga de caminhões elétricos.

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Cálculo de exemplo: quando 300 kVA basta e quando não

Imagine um galpão de 8 mil m² em Cabo de Santo Agostinho, com cross-docking, 6 empilhadeiras e escritório. O fator de demanda indica quanto de cada carga funciona ao mesmo tempo no pico.

CargaPotência instaladaFator de demandaDemanda
Iluminação LED (8.000 m² × 5 W/m²)40 kW1,040 kW
Escritório com ar-condicionado45 kW0,836 kW
10 docas e 4 portões rápidos25 kW0,37,5 kW
6 carregadores de empilhadeira36 kW0,725 kW
Tomadas, TI, bombas e outros30 kW0,515 kW
Total176 kW-cerca de 124 kW

Com 124 kW de demanda, um transformador de 225 kVA já atenderia, e 300 kVA deixa folga de cerca de 100 kW para crescer. Agora, acrescente uma câmara fria de 800 m² (cerca de 140 kW de demanda) e 6 carregadores de 22 kW para vans com fator de demanda 0,8 (cerca de 105 kW). A demanda vai para perto de 370 kW, o equivalente a cerca de 400 kVA só para atender, sem reserva. Nesse cenário, a subestação certa é de 500 kVA.

A diferença entre carga instalada e demanda contratada é essencial para não superdimensionar nem subdimensionar.

Regra prática: dimensione para a operação de hoje mais o que está previsto nos próximos 3 a 5 anos, com reserva de 15% a 25%. Se a soma passar de 250 kW, comece já com subestação abrigada ou blindada, mesmo que o primeiro transformador seja menor.

Folga para expansão e caminho de ampliação

Operações logísticas mudam rápido: um novo cliente com produtos refrigerados ou uma frota elétrica pode dobrar a demanda em um ano. Por isso, o projeto deve prever o crescimento desde o início.

1
No projeto

Reserve espaço e infraestrutura

Deixe área para uma futura subestação abrigada ou blindada, eletrodutos de reserva e quadro geral com espaço para novos circuitos.

2
Na operação

Monitore a demanda real

Acompanhe a memória de massa do medidor. Se a demanda passar de 85% da capacidade com frequência, é hora de planejar a ampliação.

3
Antes de ampliar

Otimize o que já existe

Gestão de carga na recarga, partida suave nos compressores e correção do fator de potência liberam capacidade sem obra.

4
3 a 8 meses

Amplie com projeto e aprovação

Novo projeto, aumento de carga na distribuidora, nova subestação de 500 kVA ou mais e ajuste da demanda contratada.

Para orçar a subestação de 300 kVA, consulte quanto custa uma subestação de 300 kVA. Para comparar potências intermediárias, veja como dimensionar de 112,5 a 300 kVA.

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Seu galpão cabe em 300 kVA?

A Exitogrid faz o levantamento de carga do seu galpão por perfil de operação, dimensiona a subestação com folga para crescer e cuida do projeto e do aumento de carga na distribuidora. Credenciada na Neoenergia (Tipos 1 a 6), atuamos em PE, AL, PB e RN.

Revisão técnica Eng. Rhayanna Larissa Ferreira dos Santos

Engenheira Eletricista – Responsável Técnica da Exitogrid · CREA-PE nº 182427058-5

Conteúdo revisado em .

Perguntas frequentes

Com fator de potência de 0,92, 300 kVA equivalem a cerca de 276 kW. Para operar com folga e sem aquecer o transformador, o recomendado é manter a demanda máxima entre 220 kW e 250 kW, deixando uma reserva para picos e crescimento.
Nem sempre. Muitos condomínios logísticos entregam galpões com subestação dimensionada para armazenagem seca. Se a sua operação inclui câmara fria, automação pesada ou recarga de veículos, peça o projeto elétrico e a demanda contratada antes de assinar o contrato.
Raramente. Nas normas da Neoenergia, a subestação aérea em poste costuma ir até 300 kVA. Acima disso, o padrão passa a ser abrigada ou blindada, com nova proteção, cabos e projeto aprovado pela distribuidora. Na prática, é uma nova subestação.
Depende da quantidade e do tipo de bateria. Carregadores de bateria de chumbo-ácido costumam ficar entre 3 kW e 8 kW cada. Baterias de lítio com carga rápida podem pedir de 10 kW a 30 kW por carregador. Uma frota de 20 empilhadeiras carregando no mesmo turno pode somar mais de 100 kW.
A potência do transformador, em kVA, é a capacidade física do equipamento. A demanda contratada, em kW, é o valor que você contrata com a distribuidora e paga todo mês. Ela deve ficar abaixo da capacidade do transformador e próxima da demanda real, para não pagar por potência ociosa nem multa por ultrapassagem.
Pode ajudar em casos pontuais, assumindo cargas no horário de ponta ou em picos curtos. Mas não é solução para crescimento permanente de carga: o custo do diesel e da manutenção costuma superar, em poucos anos, o investimento na ampliação da subestação.

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